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sábado, 6 de agosto de 2011

Um exemplo do que é ser eu

   Não faço a mínima ideia que título surgirá deste post, nem mesmo que texto se irá formar. Mas que interessa isso? Ninguém o vai ler, nem eu mesma vou reler estas palavras, são mais um eco meu perdido nas tranças largas da Internet. Sem dúvida que tenho um poço cheio dentro de mim, cheio de uma água suja e pestilenta, aposto que até corpos em decomposição flutuam neste poço. O problema é que não tenho coragem de mergulhar para vasculhar e analisar (até fico sem ar só de pensar) que medos/traumas/inseguranças possam estar por ali escondidos. Não, limito-me a observar daqui, da superfície, acobardada o suficiente pelo que vejo. E por onde começar? Oh bem, certamente, alimentação/corpo/distúrbios, que é o tema principal deste blog.
   Tenho estado num transe de comer compulsivamente há sensivelmente uma semana. Ao desespero e depressão que estas compulsões trazem, juntemos-lhe uma onda de irritabilidade, choro descontrolado e dificuldade em adormecer. Eu espero que tudo isto seja da nossa amiga TPM, inclusive o comer compulsivo. Tenho perdido dias de praia, faltado a jantares e outros compromissos e toda a diversão do Verão simplesmente porque me sinto... o quê? Exacto, uma GORDA e NOJENTA VACA. Eu quero controlar-me, quero esquecer as compulsões, quero divertir-me, ir comer caracóis e marisco. Quero ir passear, aproveitar o sol, mergulhar na água do mar, ver uns concertos e namoriscar a cowboyada que por aí anda. Quero mesmo. No entanto, mal consigo arranjar forças para sair de casa, inchada, pesada, encalorada, prefiro esconder-me entre paredes. É triste, eu sei, mas tenho tal nojo de mim que simplesmente não consigo.
   Imaginem, só para vos dar um pequeno exemplo, para não pensarem que estou a exagerar ou mesmo a fazer um auto-diagnóstico, não conseguirem adormecer por causa do excesso de comida no vosso estômago. Estão cheios, mal-dispostos, ensonados, com sede e calor e com um medo terrível do dia seguinte. Não saber como enfrentar o amanhã é das piores sensações, encontram-se perdidos, só pedem a alguém, ou a ninguém, para, com muitos por favores à mistura, vos deixarem morrer durante a noite. Ou então, milagrosamente, acordarem magros. Ah! Isso é que era, não fazem a mínima ideia quantas vezes este foi o meu desejo murmurado às almofadas. Desculpem, voltemos ao exemplo. Há uma crise de choro que tentam abafar e lá acabam por adormecer pelas 5-6 da manhã. Infelizmente continuam vivos, gordos e às 10h já estão de pestana aberta. Ora bolas, e agora? É o dia seguinte, o que faço? Isto porque, apesar de necessitarem de mais umas horinhas de sono, o medo desperta. Upa, toca a levantar, num total estado de desorientação e sem darem por ela, já estão com alguma coisa na boca - fruta, cereais, leite... o que estou eu a fazer? Merda, já que comecei... uma tosta mista, um iogurte e umas bolachas. Estou cheio. E cheio de sono. Mas não vão dormir. Esperam pela hora de almoço e continuam a comer. E bebem uns belos 2 ou 3 copos de vinho só porque já estão gordos. A vossa família já acabou de almoçar, cada um foi para o seu canto, alguém pergunta quais os planos desse dia. Mas vocês não podem ter planos, estão demasiado cheios para fazer seja o que for, ficam em casa. Não conseguem ter atenção a nada, não conseguem falar com ninguém, muito menos paciência para aturar a criançada. Só há uma coisa que ainda conseguem fazer - comer. O ritual continua até à noite, até ao dia seguinte.
   Agora, acham que conseguem ter uma pequena ideia de como me tenho sentido esta semana? Ah! Vamos juntar a esta sopa o vosso irmão excessivamente magro. Olham para ele e é só pele e ossos, contudo, numa mórbida crença, vocês invejam aquela magreza excessiva. Observam-no de forma obsessiva, ele come só porcarias e a más horas, ele não faz exercício, trabalha demais, e está claramente abaixo do peso ideal. Todos à vossa volta largam comentários de preocupação em relação ao vosso irmão. São como bombas que vos enchem de raiva e ciúme, portanto, comem mais. E a vossa mãe? Cada vez mais magra, a fazer exercício todos os dias à vossa frente, a receber elogios de amigos, conhecidos e desconhecidos, a comprar roupa nova para o corpo novo, a planear uma tatuagem como prémio de exibição. E vocês, revoltados por estarem raivosos em vez de felizes por ela, fecham-se no quarto a comer.
   Claro, podem dizer-me, usa-os como inspiração, junta-te à tua mãe nos exercícios, etc. etc.. Acham que ainda não pensei nisso? Ter ataques de voracidade não é propriamente uma escolha minha. Eu simplesmente não tenho controlo, pareço uma máquina criada unicamente para comer - e que belo trabalho faço. Vá, amanhã -hoje- é outro dia e a minha mente distorcida quer e acha que a única coisa a fazer é passar o dia a liquidos. E no dia seguinte continuar a passar fome e assim sucessivamente. E apesar de haver uma vozinha que me avisa que essa não é a solução, não senhora, a outra é mais forte.

   Há mais coisas a contar, mas parece que nada tem tanta importância como o facto de estar a engordar a olhos vistos. Não tenho a vontade de escrever sobre como ainda penso no espanhol todos os dias - com raiva, saudade, tristeza; como não me consigo pôr a estudar; como não consigo rir; como não sou capaz de acreditar no amor; como o medo da intimidade; como a melancolia; como a exposição de repteis que visitei hoje; como aquele rapaz que engraçou comigo; como a evil não me manda mesada e como não tenho coragem de lhe telefonar... Mas sei, ou estou convencida de que, vou ser capaz de enfrentar tudo isto quando emagrecer outra vez, quando começar a ter controlo sobre a comida. Até lá, a todos vocês que nada disto lêem, boa sorte.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

COMPULSÃO!!!

   Acabei de ter uma compulsão daquelas nojentas, que dóiem, que me deixam tonta, enojada, a tremer, sem respirar e com uma, desculpem a vulgaridade da palavra, barrigona!!! Não sei em que posição estar porque me dói, não consigo pensar com clareza, nem escrever como deve ser.... estou agoniada, triste, frustrada, irritada, com um nojo enorme de mim mesma. Odeio-me tanto agora. E, ao mesmo tempo, odeio o espanhol. Não sei por quê, mas fiquei com um ódio súbdito em relação a ele. E a mim!
    Este é um texto irónico e mesquinho quando comparado com o anterior, mas eu não consigo evitar em escrever aqui (e depois passar para o meu bloquinho) o meu plano para amanhã. Tenho de me castigar, tenho de compensar isto. Só consigo pensar nos vestidos novos, tenho de emagrecer para entrar neles e não parecer uma lontra!!!

   Foi uma compulsão merecedora de não um, mas vários dias de compensação:
  • mousse de chocolate
  • um pacote inteiro de bolachas de manteiga
  • um pacote inteiro de filipinos
  • um prato cheio de massa e bifes de frango (3)
  • uma sandes de pão branco com manteiga, queijo e mais um bife
  • para não falar do prato de massa e 3 bifes ao almoço
  • morangos (também ao almoço)
que nojo, que nojo, que nojo... e o mal estar!!! aiii, dói fisicamente... imaginem psicologicamente...

   Aqui fica o plano para amanhã - FAST
  • Faltar à aula da manhã (dormiiiir)
  • Ir ao continente comprar águas, pastilhas e café
  • Ir à baixa ver lojas de livros em segunda mão
  • Tomar café nas docas e estudar
  • Deitar fora toda a comida que leva às compulsões (menos os bollycaos*)
  • Estudar, já em casa, para o debate de francês
  • Manter-me bem distraída até dormir
   E amanhã será assim. Não comer. As únicas calorias serão das pastilhas, cafés e águas, sendo que estas têm sabor. Sei que já disse isto, mas... SINTO-ME UM NOJO!!! FALHANÇO TOTAL!

   Estou tão triste... segunda vai ser fast, terça, quarta e quinta restrição...

*os bollycaos ficam para eu come-los quando me sentir magra à frente das outras pessoas. Adoro estar magra e mostrar-me aos outros a comer um doce. Mas hoje.... hoje só quero esquecer e desaparecer.

   É possível que hoje tenha tido esta compulsão enorme por ter tido vontade o fim de semana todo e não ter conseguido totalmente. Sei lá... no fundo sou mesmo uma fraca.

que ódio, que nojo

sábado, 21 de maio de 2011

Às vezes parece que adivinho...

   Muitas vezes temos compulsões alimentares depois de notícias que mexem connosco emocionalmente. Tudo bem, provavelmente as compulsões de ontem e hoje são da apresentação que tenho de preparar para segunda (que mal comecei e já são 23.35 de Sábado) e talvez do período que está prestes a chegar... mas acontecimentos stressantes depois de 2 dias de compulsão ainda me põem pior. O brasileiro deixou-me uma mensagem no mural do Facebook a dizer que tinha visto a minha amiga.

Quê? Que tenho eu a ver com isso? Por que me vens com uma observação desinteressante, desnecessária, despropositada depois de tanto tempo sem falarmos?

   Pensei eu. E fui ver o que se passava na sua página do FB. Ora, a maior surpresa, está numa relação com uma miúda de 18 anos, possivelmente brasileira. Não me devia incomodar, principalmente se eu nunca gostei realmente dele. Todavia... ela é magra. Um sorriso bonito, pernas bonitas, uma silhueta elegante, magra, magra, magra. Deve ser inteligente, divertida, atenciosa, despreocupada e, claro, não deve sofrer de distúrbios alimentares. A comida não deve consumir toda a sua vida. Aposto que come o que quer sem se preocupar com o peso.

   Ainda me sinto pior pelas compulsões. Hoje já enfiei a escova de dentes até à parte de trás da garganta umas 4 vezes. Nada de vomitar comida, apenas cuspo, engasganço e saliva. Sou de tal forma inútil e medrosa que nem puxar o vomitado cá para fora consigo.

   Pois é, hoje odeio-me. Já tenho um plano para compensar, amanhã nada de comida e toca a fazer o trabalho! Depois, poucas calorias, poucas calorias até sexta, que será dia de outro - se tudo correr bem, esperemos que sim - fast.

   E só quero estar com o espanhol outra vez na terça, pois sinto-me demasiado nojenta.
   E é tudo por hoje, vou tentar fazer um pouco mais do trabalho - se conseguir.

Medos e sensações

São agora 2.43am.
Sinto uma certa melancolia, uma tristeza, um vazio. É um sentimento que não sei descodificar, que procuro anular com comportamentos auto-destrutivos. E talvez ao escrever consiga perceber um pouco melhor de onde vêm e/ou o que são, de qualquer forma, ao menos exteriorizo o que guardo neste casulo que construí.
Antes de mais, estou cansada. É tarde e passei o dia fora de casa, mas parece que não tenho coragem de me deitar e dormir, como se o amanhã me assustasse. E assusta, não quero acordar para os trabalhos e estudos da faculdade, nem para as limpezas da casa, muito menos para mais um dia a focar-me no que posso ou não comer. Se ao menos conseguisse dormir durante uma semana inteira, de seguida... Talvez tenha comido "mais do que devia" esta noite por não me querer deitar. Além do mais, sempre que fecho os olhos para o descanso do corpo e mente, não há um verdadeiro descanso para a minha mente, que começa  a focar-se no que não aconteceu, no que poderia ter acontecido, nos por quês do dia de hoje, etc..
Embora o meu ciclo menstrual seja irregular, imprevisível (provavelmente devido aos traumas constantes a que sujeito o meu corpo), é provável que o período esteja a chegar, logo traz consigo umas fomes maiores, um desejo por doces e um comportamento irritadiço e impaciente. Talvez seja por isso que tenha comido "mais do que devia".
Outra, o espanhol e eu iniciámos uma relação qualquer. Ambos sabemos que vai durar um mês e meio, mais coisa menos coisa, pois assim que o ano lectivo acabar, cada um vai para seu lado - e que lados distantes. Até agora, uns beijos. Contudo, sinto uma vontade enorme para mais, o mais que nunca tive, ou melhor, o mais a que sempre me recusei. Quero dar-me, quero sentir a paixão, o contacto físico, quero que ele me abrace, me beije, quero explodir seja de que maneira for. Mas até agora, uns beijos; beijos estes que me anseiam por mais.
Na quinta feira tive consulta com o psicólogo e saí de lá deprimida. Sentei-me a fumar um cigarro, a olhar a paisagem num desconforto emocional. Será que vale a pena viver? O que estou eu a fazer? O que hei-de fazer? Estou a matar-me. Não quero morrer. Mas não sei sair daqui. Será que quero mesmo sair deste ciclo? Perguntas, perguntas, perguntas... Nada de respostas. Senti um misto de não querer desiludir ninguém, de querer fugir rapidamente daqui, de não querer estar sozinha, de não querer companhia, de vazio, de medo, insegurança, tristeza, ódio de mim, amor por mim. Não sei, não sei.
Alimentação de hoje:
1 pêra
Morangos
Salada (alface, tomate, camarões, delícias do mar)
2 sandes mista
10 bolachas
1 bollycao

E assim sinto-me um NOJO hoje.
E não sei como vai ser amanhã. Sinto vontade de chocolate.

Continuo a não ter respostas. Apenas uma vontade de nada.
São agora 03.18am.  

terça-feira, 17 de maio de 2011

As Razões

   Tenho de admitir que existe uma pressão social para parecermos/sermos de uma certa maneira: há um padrão de beleza, um comportamento ideal e um determinado estatuto a que só se chega com uma certa quantidade e qualidade de coisas que se possui. E podem considerar-me fútil e influenciável, mas a verdade é que os meus distúrbios alimentares começaram em tenra idade, na procura de preencher estes requisitos que, inconscientemente, me chegaram. Eu tinha de, pura e simplesmente, pertencer e quantos mais feedbacks positivos recebia, melhor.
   Ainda hoje tenho a obsessão da magreza, do corpo feminino como sendo frágil, leve e pequeno, pois continuo a ouvir o desejo das mulheres em geral para este estereótipo. Amigas, conhecidas, mães, tias, avós, primas... O certo é que são as mulheres que alimentam esta "mania" ao fazerem e darem tudo por tudo para atingirem esta perfeição de beleza. E se somos nós que temos este poder de persuasão, não tenho dúvidas que, em conjunto, conseguiríamos quebrar estas correntes que nos limitam e destroem, tanto o corpo como a alma.
   Contudo, os meus longos anos com distúrbios alimentares e as suas várias facetas (anorexia, compulsão alimentar, ednos) reduziram a noção de magreza a ser somente a recompensa, à deliciosa recompensa, confesso. O que me prende a estes comportamentos auto-destrutivos hoje em dia é mais do que o simples desejo de ser magra (embora, novamente, seja ainda este o meu patamar de excelência). Eu venero a dor que a fome me traz, as tonturas por não comer, o vazio físico sobrepondo-se ao emocional e, sobretudo, o auto-controlo. Portanto, magreza = controlo, magreza = dor física, logo magreza = recompensa merecida e desejada.
   É claro, os episódios compulsivos são muitas vezes irresistíveis por também várias razões. Ora vejamos, um único episódio de, usando o termo inglês, binge eating preenche instantaneamente o vazio físico ao mesmo tempo que me deixa embriagada, "com a moca"; e, não menos aditivo, é a minha desculpa para me refugiar no meu quarto, fugindo de todos os medos do mundo exterior - que nem eu própria sei bem quais são. Mas todo este prazer momentâneo, que pode durar 1 dia, uma, duas semanas, ou até meses (anos...?) trazem a carga negativa da culpabilidade, do descontrolo total das minhas acções, um sentimento de imundice e falhanço. E, assim, nada melhor que a fome.

   Como sair deste ciclo que me destrói, sabendo que eu tanto o venero como odeio?   

sábado, 14 de maio de 2011

Com medo do amanhã...

   Aqui estou eu, submersa na sensação de falhanço, desilusão, descontrolo... Aqui estou eu, mais uma vez, com urgente necessidade de me auto-castigar sem saber como. Aqui estou eu, zangada e frustrada comigo mesmo, rezando a ninguém em particular, pedindo um sono longo para não ter de enfrentar outro dia. Pois é, acertaram, tive uma compulsão alimentar esta noite. Mais uma para a vasta e já incontável lista de episódios compulsivos. E agora?
   Bem, da minha mente oiço apenas uma resposta, e só esta faz sentido, é incontestável, é milagrosa, é o primeiro e mais sábio mandamento/regra/lei: amanhã passarás fome! Até o meu corpo reage fisicamente a esta ideia, como se de uma solução para todos os meus problemas se tratasse, sinto os meus músculos contorcerem-se com ansiedade pelo dia de amanhã, para poder passar fome, para me poder controlar, para poder compensar o erro (nojento) de hoje, para me castigar. Ultrapassando este próximo dia de estômago vazio sei que serei mais forte, mais capaz, mais digna da vossa (sejam vocês quem forem) companhia, enfim, estarei um pouco mais próxima da perfeição.
   Até aqui tudo muito bem, o plano é simples, directo e perfeito. Mas, agora dou-me de caras com o verdadeiro problema, como vou escapar ao almoço de família amanhã? E, pior, como vou ter coragem da ida à praia com esta barriga inchada, gordura acumulada, banhas que abanam, celulite que mais parece uma colónia de formigueiros? Como vou esconder o descontrolo desta noite?
   Questões que me esgotam, massacram, que fazem parte da rotina, que não me deixam respirar livremente, que me impedem de focar em assuntos normais, de pessoas normais. Dilemas considerados fúteis para muitos, mas obsessivos para pessoas como eu. Enfim, perguntas cuja resposta só o temível amanhã me dirá. E hoje já sei que o que acontecer amanhã será auto-destrutivo:

  • Se não comer, estou a preparar uma cilada ao meu corpo para uma compulsão num futuro muito breve (já para não falar na destruição massiva da minha saúde a longo prazo);
  • Se comer, a minha mente obsessiva irá deixar-me irritadiça, deprimida e no tão detestável transe comer-tudo-o-que-me-aparecer-à-frente.
   Para quem estiver a ler este texto e a pensar "simplesmente deixa de te preocupar com a magreza e etc.", digo-vos já que penso nisso todos os dias. Mas os maus hábitos são difíceis de romper... o disco parece estar neste loop estúpido.