Fiquei ridiculamente espantada com o que engordei nesta semana, não me lembro de ter uma barrigona deste tamanho, a sério, parece barriga de grávida! Para não falar das banhas dos lados, do rabo gigantesco e das pernas roliças. Ugh, se não estivesse tão enojada quase que me punha a rir deste corpo. Acabei de tomar banho e finalizei-o com uma chuveirada geladinha - já que dizem que a água fria tem a capacidade de acelerar o metabolismo. Quem me conhece sabe o pavor que eu tenho da água fria. Custa-me imenso, nem respiro quando a água me toca. Ainda sinto o meu corpo a trabalhar no aquecimento... uff, até sabe bem.
Estou aqui a escrever para demorar o mais tempo possível por duas razões: a família está a almoçar e eu quero fugir; não sei o que hei-de vestir, pois nada me serve. Ai, ai, ai estou tão gorda e nojenta!!! Mas o primeiro dia é o mais difícil, amanhã será melhor e depois de amanhã ainda melhor e por aí fora. Tenho é de me manter concentrada e controlada. Daqui a nada vou andar por aí para ver se queimo mais umas calorias.
Hoje parece que todos me querem testar. Adivinhem o que é o almoço... pizza. Eu simplesmente adoro pizza e eles encomendaram aquela pizza boa de forno de lenha e ainda uma deliciosa mousse de chocolate. Mais uma vez, eu simplesmente adoro cho-co-la-te. Só a palavra me dá prazer. Mas tenho de ser forte. Já chega deste nojo acumulado em mim.
Este ganso nasceu para ser gordo. Todo o seu organismo está programado para uma certa gordura corporal que fogem do estereótipo de beleza estipulado pela sociedade. Mas o ganso resolve protestar consigo mesmo e entra em regime alimentar - ora ignora todos os sinais da fome de forma rebelde, ora manda tudo à fava e enfarta-se até ficar bem gordinho. E foi assim que ganhou a alcunha de Sísifo!
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sábado, 6 de agosto de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
Com medo do amanhã...
Aqui estou eu, submersa na sensação de falhanço, desilusão, descontrolo... Aqui estou eu, mais uma vez, com urgente necessidade de me auto-castigar sem saber como. Aqui estou eu, zangada e frustrada comigo mesmo, rezando a ninguém em particular, pedindo um sono longo para não ter de enfrentar outro dia. Pois é, acertaram, tive uma compulsão alimentar esta noite. Mais uma para a vasta e já incontável lista de episódios compulsivos. E agora?
Bem, da minha mente oiço apenas uma resposta, e só esta faz sentido, é incontestável, é milagrosa, é o primeiro e mais sábio mandamento/regra/lei: amanhã passarás fome! Até o meu corpo reage fisicamente a esta ideia, como se de uma solução para todos os meus problemas se tratasse, sinto os meus músculos contorcerem-se com ansiedade pelo dia de amanhã, para poder passar fome, para me poder controlar, para poder compensar o erro (nojento) de hoje, para me castigar. Ultrapassando este próximo dia de estômago vazio sei que serei mais forte, mais capaz, mais digna da vossa (sejam vocês quem forem) companhia, enfim, estarei um pouco mais próxima da perfeição.
Até aqui tudo muito bem, o plano é simples, directo e perfeito. Mas, agora dou-me de caras com o verdadeiro problema, como vou escapar ao almoço de família amanhã? E, pior, como vou ter coragem da ida à praia com esta barriga inchada, gordura acumulada, banhas que abanam, celulite que mais parece uma colónia de formigueiros? Como vou esconder o descontrolo desta noite?
Questões que me esgotam, massacram, que fazem parte da rotina, que não me deixam respirar livremente, que me impedem de focar em assuntos normais, de pessoas normais. Dilemas considerados fúteis para muitos, mas obsessivos para pessoas como eu. Enfim, perguntas cuja resposta só o temível amanhã me dirá. E hoje já sei que o que acontecer amanhã será auto-destrutivo:
Bem, da minha mente oiço apenas uma resposta, e só esta faz sentido, é incontestável, é milagrosa, é o primeiro e mais sábio mandamento/regra/lei: amanhã passarás fome! Até o meu corpo reage fisicamente a esta ideia, como se de uma solução para todos os meus problemas se tratasse, sinto os meus músculos contorcerem-se com ansiedade pelo dia de amanhã, para poder passar fome, para me poder controlar, para poder compensar o erro (nojento) de hoje, para me castigar. Ultrapassando este próximo dia de estômago vazio sei que serei mais forte, mais capaz, mais digna da vossa (sejam vocês quem forem) companhia, enfim, estarei um pouco mais próxima da perfeição.
Até aqui tudo muito bem, o plano é simples, directo e perfeito. Mas, agora dou-me de caras com o verdadeiro problema, como vou escapar ao almoço de família amanhã? E, pior, como vou ter coragem da ida à praia com esta barriga inchada, gordura acumulada, banhas que abanam, celulite que mais parece uma colónia de formigueiros? Como vou esconder o descontrolo desta noite?
Questões que me esgotam, massacram, que fazem parte da rotina, que não me deixam respirar livremente, que me impedem de focar em assuntos normais, de pessoas normais. Dilemas considerados fúteis para muitos, mas obsessivos para pessoas como eu. Enfim, perguntas cuja resposta só o temível amanhã me dirá. E hoje já sei que o que acontecer amanhã será auto-destrutivo:
- Se não comer, estou a preparar uma cilada ao meu corpo para uma compulsão num futuro muito breve (já para não falar na destruição massiva da minha saúde a longo prazo);
- Se comer, a minha mente obsessiva irá deixar-me irritadiça, deprimida e no tão detestável transe comer-tudo-o-que-me-aparecer-à-frente.
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