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segunda-feira, 6 de junho de 2011

COMPULSÃO!!!

   Acabei de ter uma compulsão daquelas nojentas, que dóiem, que me deixam tonta, enojada, a tremer, sem respirar e com uma, desculpem a vulgaridade da palavra, barrigona!!! Não sei em que posição estar porque me dói, não consigo pensar com clareza, nem escrever como deve ser.... estou agoniada, triste, frustrada, irritada, com um nojo enorme de mim mesma. Odeio-me tanto agora. E, ao mesmo tempo, odeio o espanhol. Não sei por quê, mas fiquei com um ódio súbdito em relação a ele. E a mim!
    Este é um texto irónico e mesquinho quando comparado com o anterior, mas eu não consigo evitar em escrever aqui (e depois passar para o meu bloquinho) o meu plano para amanhã. Tenho de me castigar, tenho de compensar isto. Só consigo pensar nos vestidos novos, tenho de emagrecer para entrar neles e não parecer uma lontra!!!

   Foi uma compulsão merecedora de não um, mas vários dias de compensação:
  • mousse de chocolate
  • um pacote inteiro de bolachas de manteiga
  • um pacote inteiro de filipinos
  • um prato cheio de massa e bifes de frango (3)
  • uma sandes de pão branco com manteiga, queijo e mais um bife
  • para não falar do prato de massa e 3 bifes ao almoço
  • morangos (também ao almoço)
que nojo, que nojo, que nojo... e o mal estar!!! aiii, dói fisicamente... imaginem psicologicamente...

   Aqui fica o plano para amanhã - FAST
  • Faltar à aula da manhã (dormiiiir)
  • Ir ao continente comprar águas, pastilhas e café
  • Ir à baixa ver lojas de livros em segunda mão
  • Tomar café nas docas e estudar
  • Deitar fora toda a comida que leva às compulsões (menos os bollycaos*)
  • Estudar, já em casa, para o debate de francês
  • Manter-me bem distraída até dormir
   E amanhã será assim. Não comer. As únicas calorias serão das pastilhas, cafés e águas, sendo que estas têm sabor. Sei que já disse isto, mas... SINTO-ME UM NOJO!!! FALHANÇO TOTAL!

   Estou tão triste... segunda vai ser fast, terça, quarta e quinta restrição...

*os bollycaos ficam para eu come-los quando me sentir magra à frente das outras pessoas. Adoro estar magra e mostrar-me aos outros a comer um doce. Mas hoje.... hoje só quero esquecer e desaparecer.

   É possível que hoje tenha tido esta compulsão enorme por ter tido vontade o fim de semana todo e não ter conseguido totalmente. Sei lá... no fundo sou mesmo uma fraca.

que ódio, que nojo

domingo, 5 de junho de 2011

Revolução

   A sensação no mundo é a seguinte: estamos a ser completamente controlados por aqueles com poder (sendo poder igual a dinheiro); todos nós somos influenciados por um mundo de entretenimento, mentiras são contadas uma e outra vez até acreditarmos nelas, gastamos parte do nosso dinheiro em tudo o que foi elaboradamente esquematizado e alterado para uns ganharem mais dinheiro, a outra parte é-nos tirado de forma a acreditarmos que é necessário este roubo. Desde a comida, às roupas, aos gadgets, à informação, ao lazer, tudo suga. Investimos naquilo que nos dizem que irá trazer bem-estar, felicidade, harmonia, plenitude, e insistimos, insistimos, e com o que é que ficamos? Nada. Nada a nível material, nada a nível espiritual, nada a nível emocional. Um grande nada que sentimos no mais profundo do nosso ser. O que fazemos então? Continuamos a colocar-nos em frente à televisão, absorvendo as verdades que nos contam, sobre o mundo, sobre o melhor estilo de vida, sobre um equilíbrio que não temos.
    É preciso mudar, dizem-nos. Ergue-te, fala, luta pelo que acreditas. Muda, evolui, revolta-te. Ajuda-nos a revolucionar esta merda de sociedade em que nos encontramos. Já chega que estes sacanas fiquem com tudo que é nosso, nos controlem, nos façam de burros, incompletos. Esta é a altura de dizer não, não me prendem mais, não ditem como tenho de viver, como devo pensar, quem devo ser, pois todos somos um. Somos UM grande, brilhante, forte, capaz, completo.
    E assim ficamos com o bichinho da mudança, da revolução. Mas como? Como podemos mudar esta máquina grandiosa que nos manipula? O que posso eu fazer? Eu não sei, NÃO SEI!!! Portanto, deixo esta minha veia consumista – não preciso de me vestir como os outros, de ter aquele vestido espectacular, aqueles ténis na moda, nem mesmo aquela maquilhagem que me vai pôr mais bonita. Já estou a cortar na mão de obra barata, na exploração, num dar constante àqueles que já muito têm. Deixo esta outra minha veia, mais difícil, de gulotona – não, não preciso de mais um hambúrguer, etc. daquelas ricas e altamente químicas cadeias de fast-food, nem dos alimentos puramente alterados cujos ingredientes naturais desapareceram. Deixo esta minha veia, igualmente muitíssimo difícil por estar tão presente na minha ideia de quem SOU, de perfeição.
    Vou ser diferente. Como? Sendo eu mesma! Ao inicio vai custar, visto que já estou tão perdida numa ideia que alguém criou sobre mim mesma. Tenho de desconstruir tudo, peça a peça, falar sobre isto e aquilo, mesmo não tendo opinião, arriscar num pensamento, riscá-lo e ter outro, até saber o que gosto, o que quero, o que penso. Porque nem o que penso e/ou acredito sei. Como mudar eficazmente a podre da sociedade não sei, não encontrei nenhum livro do género. Mas, ao menos, sei que já não quero pertencer a esta corrente material, mentirosa e manhosa. Se eu falar mal, paciência, se não te agradarem as minhas roupas de sempre, paciência, se não pertencer ao protótipo da vossa beleza, PACIÊNCIA!

    O que me levou aos distúrbios alimentares não foi só a minha insegurança, a minha necessidade de pertença, foram vocês todos que querem sempre mais de mim, que querem que eu seja isto e aquilo. E este pode ser um projecto em desenvolvimento, mas podem ter a certeza que já começou!

terça-feira, 17 de maio de 2011

As Razões

   Tenho de admitir que existe uma pressão social para parecermos/sermos de uma certa maneira: há um padrão de beleza, um comportamento ideal e um determinado estatuto a que só se chega com uma certa quantidade e qualidade de coisas que se possui. E podem considerar-me fútil e influenciável, mas a verdade é que os meus distúrbios alimentares começaram em tenra idade, na procura de preencher estes requisitos que, inconscientemente, me chegaram. Eu tinha de, pura e simplesmente, pertencer e quantos mais feedbacks positivos recebia, melhor.
   Ainda hoje tenho a obsessão da magreza, do corpo feminino como sendo frágil, leve e pequeno, pois continuo a ouvir o desejo das mulheres em geral para este estereótipo. Amigas, conhecidas, mães, tias, avós, primas... O certo é que são as mulheres que alimentam esta "mania" ao fazerem e darem tudo por tudo para atingirem esta perfeição de beleza. E se somos nós que temos este poder de persuasão, não tenho dúvidas que, em conjunto, conseguiríamos quebrar estas correntes que nos limitam e destroem, tanto o corpo como a alma.
   Contudo, os meus longos anos com distúrbios alimentares e as suas várias facetas (anorexia, compulsão alimentar, ednos) reduziram a noção de magreza a ser somente a recompensa, à deliciosa recompensa, confesso. O que me prende a estes comportamentos auto-destrutivos hoje em dia é mais do que o simples desejo de ser magra (embora, novamente, seja ainda este o meu patamar de excelência). Eu venero a dor que a fome me traz, as tonturas por não comer, o vazio físico sobrepondo-se ao emocional e, sobretudo, o auto-controlo. Portanto, magreza = controlo, magreza = dor física, logo magreza = recompensa merecida e desejada.
   É claro, os episódios compulsivos são muitas vezes irresistíveis por também várias razões. Ora vejamos, um único episódio de, usando o termo inglês, binge eating preenche instantaneamente o vazio físico ao mesmo tempo que me deixa embriagada, "com a moca"; e, não menos aditivo, é a minha desculpa para me refugiar no meu quarto, fugindo de todos os medos do mundo exterior - que nem eu própria sei bem quais são. Mas todo este prazer momentâneo, que pode durar 1 dia, uma, duas semanas, ou até meses (anos...?) trazem a carga negativa da culpabilidade, do descontrolo total das minhas acções, um sentimento de imundice e falhanço. E, assim, nada melhor que a fome.

   Como sair deste ciclo que me destrói, sabendo que eu tanto o venero como odeio?   

sábado, 14 de maio de 2011

Com medo do amanhã...

   Aqui estou eu, submersa na sensação de falhanço, desilusão, descontrolo... Aqui estou eu, mais uma vez, com urgente necessidade de me auto-castigar sem saber como. Aqui estou eu, zangada e frustrada comigo mesmo, rezando a ninguém em particular, pedindo um sono longo para não ter de enfrentar outro dia. Pois é, acertaram, tive uma compulsão alimentar esta noite. Mais uma para a vasta e já incontável lista de episódios compulsivos. E agora?
   Bem, da minha mente oiço apenas uma resposta, e só esta faz sentido, é incontestável, é milagrosa, é o primeiro e mais sábio mandamento/regra/lei: amanhã passarás fome! Até o meu corpo reage fisicamente a esta ideia, como se de uma solução para todos os meus problemas se tratasse, sinto os meus músculos contorcerem-se com ansiedade pelo dia de amanhã, para poder passar fome, para me poder controlar, para poder compensar o erro (nojento) de hoje, para me castigar. Ultrapassando este próximo dia de estômago vazio sei que serei mais forte, mais capaz, mais digna da vossa (sejam vocês quem forem) companhia, enfim, estarei um pouco mais próxima da perfeição.
   Até aqui tudo muito bem, o plano é simples, directo e perfeito. Mas, agora dou-me de caras com o verdadeiro problema, como vou escapar ao almoço de família amanhã? E, pior, como vou ter coragem da ida à praia com esta barriga inchada, gordura acumulada, banhas que abanam, celulite que mais parece uma colónia de formigueiros? Como vou esconder o descontrolo desta noite?
   Questões que me esgotam, massacram, que fazem parte da rotina, que não me deixam respirar livremente, que me impedem de focar em assuntos normais, de pessoas normais. Dilemas considerados fúteis para muitos, mas obsessivos para pessoas como eu. Enfim, perguntas cuja resposta só o temível amanhã me dirá. E hoje já sei que o que acontecer amanhã será auto-destrutivo:

  • Se não comer, estou a preparar uma cilada ao meu corpo para uma compulsão num futuro muito breve (já para não falar na destruição massiva da minha saúde a longo prazo);
  • Se comer, a minha mente obsessiva irá deixar-me irritadiça, deprimida e no tão detestável transe comer-tudo-o-que-me-aparecer-à-frente.
   Para quem estiver a ler este texto e a pensar "simplesmente deixa de te preocupar com a magreza e etc.", digo-vos já que penso nisso todos os dias. Mas os maus hábitos são difíceis de romper... o disco parece estar neste loop estúpido.